Existe uma frase que merece ser levada a sério quando pensamos sobre comportamento humano: nós não apenas habitamos os ambientes; os ambientes também passam a habitar em nós. A maneira como vivemos, as pessoas com quem convivemos e os hábitos que se repetem ao nosso redor participam, muitas vezes silenciosamente, da construção do nosso comportamento.
Imagine uma pessoa que sempre foi organizada e que, em determinado momento, passa a morar com alguém extremamente desorganizado. No início, ela se incomoda, recolhe as roupas espalhadas, organiza os objetos, limpa o que foi abandonado e tenta manter a rotina que sempre teve. Mas, com o passar do tempo, algo pode mudar.
Ela começa a deixar algumas coisas para depois, passa a tolerar objetos fora do lugar e, pouco a pouco, aquilo que antes lhe causava incômodo começa a parecer normal.
Ela não acordou um dia e decidiu: “agora vou ser desorganizada”. A mudança aconteceu nas pequenas repetições.
Quando somos constantemente expostos a uma determinada situação, tendemos a nos adaptar a ela. O que inicialmente chama nossa atenção pode, com o tempo, deixar de provocar a mesma reação. A bagunça que antes parecia gritante passa a fazer parte da paisagem. Não precisamos controlar todas as pessoas ao nosso redor, mas podemos observar o que está acontecendo conosco.
Uma pergunta simples pode ser poderosa: “O que em mim está mudando por escolha e o que está mudando apenas porque me adaptei ao ambiente?” Porque algumas mudanças acontecem tão devagar que não percebemos que estamos mudando.
E, quando finalmente percebemos, talvez seja hora de escolher novamente aquilo que queremos conservar em nós. Entretanto, existe um perigo quando a adaptação se torna excessiva: podemos começar a abandonar comportamentos importantes para nós apenas porque o ambiente não os sustenta.
Nem tudo o que se torna habitual merece permanecer.
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