COPA DO MUNDO 2026 – Brasil rumo ao Hexa – Histórias das Copas do Mundo

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OS SALTOS TÁTICOS E A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA: AS COPAS DE 1934 E 1938.

A seleção brasileira enfrentou muitas dificuldades na Copa de 1930. O grupo foi obrigado a treinar no convés do navio durante a longa viagem para o Uruguai, contando apenas com o trabalho do técnico e com a liderança do capitão do time, Preguinho. Além disso, a torcida aqui no Brasil só recebia as notícias dos jogos horas depois, devido aos grandes entraves na transmissão das informações. Na época, não existia uma comissão técnica nos moldes atuais, com uma equipe multidisciplinar de profissionais. O treinador daquele período, Píndaro de Carvalho Rodrigues, antes de assumir o posto, era médico sanitarista e trabalhava para a Secretaria de Saúde do Distrito Federal — já que o Rio de Janeiro era a sede da capital federal.

​Já a Copa de 1934 foi ainda mais complexa. Sediado pela Itália, que na época era comandada por Benito Mussolini, o evento foi amplamente utilizado como ferramenta de propaganda política do regime fascista. Para completar, a seleção brasileira viajou desfigurada por causa da intensa briga política entre o amadorismo e o profissionalismo no esporte nacional. A desgastante viagem de doze dias a bordo de um navio acabou não compensando: o Brasil jogou apenas uma partida, sendo eliminado logo na estreia ao perder por 3 a 1 para a seleção da Espanha. Naquele momento, a intensidade do futebol ainda não tinha atingido todo o povo brasileiro, parecendo algo distante da realidade cotidiana.

​Tudo mudou drasticamente em 1938, na França, com a maior estreia tecnológica da história do esporte brasileiro: a primeira transmissão de uma Copa do Mundo ao vivo pelo rádio. A cobertura foi liderada pela voz do locutor Gagliano Neto, da Rádio Clube do Brasil, do Rio de Janeiro, que adaptou a transmissão por meio de ondas curtas, cujo sinal era enviado ao Brasil via radiotelegrafia. Saindo de Paris, o sinal era convertido em ondas curtas de alta potência, captado pelas antenas em solo nacional e retransmitido pela Rádio Clube para outras emissoras do país. Como eram raras as famílias que possuíam aparelhos capazes de sintonizar ondas curtas, o povo se aglomerava nas calçadas, praças públicas, fábricas e cafés ao redor de um único alto-falante para ouvir as emoções que vinham da França.

​Nesta Copa, o Brasil se encantou de vez com Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”. O atacante fascinou os franceses e os ouvintes brasileiros com sua genialidade tática, incluindo o lendário gol descalço na vitória por 6 a 5 contra a Polônia, sob uma tempestade de lama. Na defesa, a elegância milimétrica de Domingos da Guia completava o time que conquistou o terceiro lugar no mundial — a melhor campanha do país até então. O rádio, como elemento de união nacional, não apenas transmitia as partidas, mas unia os brasileiros e brasileiras em torno de um esporte que se tornava definitivamente popular, tocando a emoção de pessoas das mais variadas idades, profissões e classes sociais.

​Essa era de ouro nas ondas do rádio acabou interrompida pelo início da Segunda Guerra Mundial, que congelou o torneio por longos doze anos. No entanto, a semente da paixão pelo futebol já estava plantada em todos os corações. Depois de aprender a imaginar e a vibrar com os gols vindos de longe, o torcedor brasileiro finalmente teria a chance de ver o espetáculo de perto.

​Na próxima terça-feira, veremos como o mundo veio jogar no quintal da nossa casa em 1950, preparando o cenário para o maior drama da história do nosso futebol.

​E na próxima sexta-feira, a partir das 19 horas, estejamos todos prontos: com a bandeira hasteada na porta de casa ou do escritório, nas antenas e janelas dos carros, vestindo a camisa verde e amarela e torcendo mais uma vez pela Seleção do Brasil, que enfrentará a Seleção do Haiti diretamente do Lincoln Financial Field, em Filadélfia, Estados Unidos.

​BRASIL: TODOS JUNTOS SOMOS HEXA!

*CLAUDIVAL CLEMENTE

JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e em Administração de Empresas pela UNIFIO.