Etarismo: quando a idade se torna um preconceito (por Cidinha Pascoaloto)

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O envelhecimento é um processo natural e inevitável da vida humana. No entanto, a sociedade contemporânea frequentemente transforma o avanço da idade em um fator de desvalorização e exclusão. Esse fenômeno, conhecido como etarismo, refere-se ao preconceito baseado na idade de um indivíduo. Embora possa afetar jovens, suas consequências mais profundas são direcionadas à população idosa formando barreiras gigantescas e estruturais de grande escala.

O etarismo se manifesta de forma sutil ou institucionalizada em diversos setores, como no mercado de trabalho, no cotidiano, na linguagem e no sistema de saúde. Suas consequências afetam profundamente a saúde mental: quando uma pessoa ouve repetidamente que está velha demais para aprender, produzir ou contribuir, ela tende a perder a autoestima, sentir-se inútil e isolar-se, podendo desenvolver ansiedade e depressão. Estudos apontam que vítimas desse preconceito apresentam maior sofrimento emocional e menor expectativa de vida.

Nas empresas, o etarismo também gera grandes prejuízos. Ao deixar de contratar ou valorizar profissionais experientes, perde-se conhecimento acumulado, equilíbrio emocional, comprometimento e capacidade de resolução de conflitos. A experiência não substitui a juventude, assim como a juventude não substitui a experiência — ambas se complementam perfeitamente.

Os jovens chegam ao mercado com inovação, criatividade, domínio de novas tecnologias e disposição para aprender. Já os profissionais mais experientes oferecem maturidade, visão estratégica, responsabilidade e a sabedoria construída ao longo dos anos. Organizações que unem essas duas gerações formam equipes mais fortes, integradas e humanas.

Aos empresários, fica um convite à reflexão: contratar uma pessoa não é apenas analisar um currículo, mas reconhecer histórias e potenciais. A idade nunca deve ser o critério para abrir ou fechar uma porta. Combater o etarismo é promover respeito, inclusão e dignidade. O verdadeiro sucesso das empresas não está em escolher uma geração, mas em construir pontes entre elas, pois o futuro se constrói quando diferentes gerações caminham juntas.

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