Copa do Mundo 2026 – Brasil rumo ao Hexa (por Claudival Clemente)

0
238

COPA DO MUNDO 2026 – BRASIL RUMO AO HEXA
HISTÓRIA DAS COPAS DO MUNDO

TIKTOK DE 1930: O RESULTADO DO JOGO CHEGAVA POR CABO DENTRO DO MAR
Por Claudival Clemente

Já passou raiva porque o vizinho gritou “gol” cinco segundos antes de você por causa do delay

(atraso) do streaming? Ou ficou irritado porque a sua live travou bem na hora do contra-ataque? Pois saiba que, na primeira Copa do Mundo da história, em 1930, o torcedor brasileiro consideraria um milagre descobrir quem fez o gol no mesmo dia da partida.

Se hoje você acompanha o Mundial com três telas ligadas, memes em tempo real e estatísticas no bolso, prepare-se para viajar no tempo. Em 1930, torcer pelo Brasil no Uruguai era um teste de pura resistência física e imaginação.

A “fofoca” por cabo submarino (O Wi-Fi da época)
Em julho de 1930, esqueça a televisão (que nem existia por aqui). Esqueça também a ideia de sintonizar o jogo no celular. Naquela época, os poucos que tinham rádio em casa ostentavam verdadeiros móveis de madeira que adornavam o centro da sala. Para ouvir qualquer coisa, era preciso ligar o aparelho minutos antes e esperar a boa vontade das válvulas aquecerem até começarem a brilhar. E, mesmo depois de todo esse ritual, o rádio não transmitia o jogo ao vivo.
A tecnologia de ponta da época eram os cabos submarinos telegráficos. O jogo acontecia, um operador no estádio digitava os lances em código Morse, os impulsos elétricos viajavam pelo fundo do Oceano Atlântico e chegavam às redações dos jornais brasileiros na velocidade de um clique da época — o que significava vários minutos de pura agonia para quem estava esperando.
Para os que não conheceram, o telégrafo elétrico foi inventado no século XIX e era o “tataravô” da internet. Ele funcionava enviando impulsos elétricos por meio de fios e cabos subaquáticos. Como o aparelho não transmitia voz, o operador usava um botão metálico (o manipulador) para dar batidas curtas e longas. Essas batidas formavam o famoso Código Morse (combinações de pontos e traços) que representavam cada letra do alfabeto. Do outro lado do oceano, outro operador decifrava os sons e transcrevia a mensagem em um papel.

O “Live Text” na calçada e o placar de giz
Como ninguém tinha um feed de notícias no celular para atualizar, o jeito era ir para a rua. O verdadeiro “Twitter” de 1930 era a fachada dos grandes jornais, como o Diário da Noite. Milhares de pessoas se aglomeravam nas calçadas, no frio de julho, olhando para cima. Era a grande estreia do Brasil em Copas do Mundo, no dia 14 de julho de 1930, contra a Iugoslávia, lá no estádio Parque Central, em Montevidéu. O “placar eletrônico” na janela do edifício do jornal era uma lousa de madeira. De tempos em tempos, um jornalista saía com um pedaço de giz na mão e mudava o placar. A multidão sofria na calçada sem ter a menor ideia de como o Brasil estava jogando, até o giz selar a nossa primeira derrota da história por 2 a 1. O gol de honra de Preguinho foi comemorado às cegas. Era o texto em tempo real levado ao extremo.

O primeiro narrador de “textão”
Para dar um pouco mais de emoção, alguns jornais instalaram alto-falantes gigantescos em suas fachadas. Mas o que as pessoas ouviam não era o som do estádio. Era a voz de um jornalista lendo os telegramas impressos que saíam da máquina de teletipo.
O locutor recebia um papel que dizia apenas: “Preguinho chuta, gol do Brasil”. A partir dali ele precisava usar a criatividade para florear o lance e gritar no microfone para a rua inteira. O torcedor precisava desenhar o jogo na própria mente. O futebol era uma arte imaginada.

Sobrevivemos ao analógico
Naquela Copa, o Brasil acabou eliminado logo na primeira fase, e o público só foi ver as fotos das jogadas dias depois, quando as revistas impressas chegaram às bancas trazidas por navios ou trens.
Ver o futebol hoje, em alta definição e na palma da mão, é incrível. Mas cruzar os braços no meio da rua, olhando para uma janela esperando um homem com um giz mudar o rumo da história, tinha uma magia que o algoritmo de hoje dificilmente vai conseguir replicar.
Por isso, no próximo sábado, a partir das 19 horas, vista sua camisa verde e amarela, reúna a família e os amigos (e quem sabe, os irmãos e irmãs da Igreja que congrega), para assistir à primeira partida da seleção do Brasil diretamente do MetLife Stadium, em Nova Jersey (Estados Unidos) que enfrentará a seleção do Marrocos. Aproveite as vantagens que a tecnologia atual oferece e torça, vibre, grite e cante. Vamos com a seleção do Brasil rumo ao hexa!

TODOS JUNTOS SOMOS MAIS FORTES. BRASIL RUMO AO HEXA!

*CLAUDIVAL CLEMENTE

JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e em Administração de Empresas pela UNIFIO.