O TSE autoriza e começam as eleições de 2026 no Brasil.
As convenções partidárias são reuniões dos partidos para a escolha dos candidatos ao pleito deste ano, no qual serão eleitos Presidente e Vice-Presidente da República, dois Senadores por Estado, Governadores e Vice-Governadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais.
Mas pode esquecer aquela velha lembrança de festas, balões, fogos de artifício, grupos musicais e os “caciques” em seus redutos, analisando o perfil de cada nome e fazendo ou refazendo alianças.
Por trás de tudo isso, a inteligência artificial assume o protagonismo. Mal os brasileiros digeriram a eliminação precoce na Copa do Mundo, o país é arrastado para outro campeonato de alta voltagem: o início oficial das convenções partidárias de 2026.
Com o aval do TSE, o calendário ganha vida. Nas eleições deste ano, os verdadeiros articuladores de bastidores são algoritmos e modelos analíticos. As decisões de julho são precedidas por duas ferramentas cruciais de gestão de risco corporativo: a auditoria da pegada digital e o compliance de dados.
A varredura da pegada digital atua como uma due diligence eleitoral. Softwares mapeiam anos de histórico dos pré-candidatos para antecipar vulnerabilidades e criar um “banco de verdade histórica”.
Esse registro é o único escudo eficaz para reações jurídicas rápidas contra deepfakes e desinformação sintética na campanha.
Já o compliance de dados rege as coligações. Cruzando dados demográficos e métricas de sentimento em tempo real, as campanhas simulam cenários matemáticos. A escolha de um vice ou de um aliado deixou de ser afeto ideológico para virar uma equação de minimização de risco e maximização de votos.
O TSE foca em regrar a IA na propaganda de rua, que começa em agosto. Porém, o verdadeiro filtro ocorre agora, no silêncio dos servidores. O eleitor acredita que a escolha começa ao digitar os números na urna em outubro. Mas a verdade é que o leque de opções que chega até ele já foi previamente testado e aprovado pelos algoritmos de dados nos bastidores de julho. A partida começou na velocidade do silício.
Claudival Clemente*
*JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP) e em Administração de Empresas pela UNIFIO















