O que a Neurociência e a Psicologia nos ensinam sobre pensar em tempos de respostas instantâneas com IA (Por Cidinha Pascoaloto)

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A tecnologia está presente em nossos celulares, computadores, redes sociais e até nas decisões que tomamos diariamente. A Inteligência Artificial é capaz de responder a perguntas, produzir textos, criar imagens, organizar informações e até conversar conosco de forma muito semelhante a um ser humano.

Diante de tantas respostas rápidas, será que estamos nos tornando mais inteligentes ou apenas mais dependentes de respostas prontas? O maior risco é que os seres humanos deixem de exercitar sua capacidade de pensar. A Neurociência mostra que nosso cérebro é um órgão extraordinariamente adaptável e que foi moldado para questionar. Diversas regiões cerebrais entram em atividade cada vez que fazemos uma pergunta, pesquisamos uma resposta ou tentamos resolver um problema.

O córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio, planejamento, tomada de decisão e pensamento crítico, é ativado quando precisamos resolver um problema, cruzar informações e formular hipóteses. Assim como um músculo se fortalece com o esforço, as conexões neurais também se fortalecem quando somos desafiados a pensar.

Quando investigamos, comparamos, refletimos e questionamos, estimulamos a neuroplasticidade — que é a capacidade do cérebro de criar conexões. É justamente esse esforço que promove o crescimento intelectual e emocional. O problema surge quando a facilidade substitui completamente o processo de reflexão.

Nenhuma Inteligência Artificial pode viver nossas experiências, sentir nossas emoções ou atribuir significado à nossa história. Ela pode fornecer dados, mas a interpretação continua sendo essencialmente humana. A curiosidade é o combustível para a mente: quando a sentimos, nosso cérebro libera dopamina, um neurotransmissor que faz parte do funcionamento cerebral saudável.

Quanto mais curiosos somos, mais aprendemos; quanto mais aprendemos, mais conexões neurais construímos; e quanto mais conexões construímos, maior se torna nossa capacidade de adaptação. Por isso, uma sociedade que deixa de fazer perguntas corre o risco de empobrecer intelectualmente. Afinal, a Neurociência nos mostra que o cérebro só cresce quando é desafiado.

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