Ostracismo: quando ser deixado de lado também machuca  (por Cidinha Pascoaloto)

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Ser ignorado, excluído ou afastado de um grupo, de uma relação ou até da própria família pode parecer apenas uma situação social desagradável, mas o ostracismo vai muito além disso. Quando alguém percebe que não é mais incluído, procurado, ouvido ou lembrado, a sensação de não pertencer pode doer profundamente.

O ostracismo acontece quando alguém é excluído: as conversas acontecem, os encontros continuam, as mensagens chegam para todos — menos para ele. Nem sempre existe uma briga. Às vezes, existe apenas um afastamento silencioso, que pode ser difícil até para quem sofre explicar o que está sentindo. Existe ainda um tipo de ostracismo pouco percebido: aquele que acontece quando a dor do outro incomoda tanto que as pessoas preferem se afastar.

Esta é uma das formas mais sutis e devastadoras de violência psicológica. Estudos da neurociência demonstram que ser ignorado ativa o centro neural da rejeição, a mesma região do cérebro responsável pelo processamento da dor física. Isso significa que a sensação de rejeição dói literalmente no corpo.

Quando a exclusão se prolonga, ela pode contribuir para sentimentos de solidão, inutilidade e desesperança, especialmente quando a pessoa já enfrenta outras dificuldades emocionais ou sociais. Por isso, quando alguém começa a desaparecer socialmente, deixa de procurar as pessoas ou fala que não vê mais sentido em continuar, não devemos simplesmente interpretar como “fase”, “drama” ou vontade de ficar sozinho. Às vezes, o silêncio é justamente o momento em que mais precisamos nos aproximar, sentar ao lado, perguntar como a pessoa realmente está e permanecer disponíveis para ouvir.

Talvez uma das formas mais importantes de prevenção seja justamente não deixar que alguém desapareça diante dos nossos olhos sem que ninguém perceba. O ostracismo diz: “você não pertence”. O acolhimento pode responder: “eu vejo você, sua dor importa e você não precisa atravessar isso sozinho.”

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