O contraste entre as primeiras Copas do Mundo — quando a Seleção Brasileira enfrentava dificuldades extremas de estrutura e treinamento, dependendo apenas do técnico e do capitão para organizar a tática — e o torneio de 2026 mostra que os obstáculos do passado ficaram na história.
A evolução começa pela Trionda, a bola inteligente desenvolvida pela Adidas. Fabricada com apenas quatro painéis de poliuretano termo-colados e sem costuras, ela otimiza a aerodinâmica e o controle. O design homenageia os três países-sede (Canadá, México e Estados Unidos) e a tradicional “ola” dos estádios, trazendo grafismos em azul, vermelho e verde com símbolos locais. Internamente, a bola integra um sensor de movimento de alta precisão (500Hz) que transmite dados em tempo real ao VAR para refinar marcações complexas.
A arbitragem também passou por uma transformação sem precedentes. A Copa de 2026 consolidou a maior reforma tecnológica e de protocolo na história do VAR. O Impedimento Semiautomático agora utiliza inteligência artificial e câmeras 4K para gerar avatares 3D dos atletas em tempo real, permitindo decisões milimétricas e reduzindo o tempo de paralisação. O protocolo foi expandido para corrigir erros claros em escanteios, tiros de meta e na identificação de cartões.
Além disso, a FIFA implementou equipes técnicas de suporte presencial em todos os estádios para eliminar falhas de comunicação e blindar o sistema contra apagões tecnológicos.
Para o Brasil, contudo, o torneio não trouxe os resultados esperados, resultando em uma eliminação precoce.
Após a queda, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou um vídeo institucional marcando o início do ciclo para 2030, descrevendo o ocorrido como “um filme que não queríamos escrever”. A entidade prometeu mais planejamento e estabilidade, mas a reação dos torcedores nas redes sociais foi imediata e crítica, apontando semelhanças com o discurso adotado após o Mundial de 2022.
Resta torcer com garra para que o cenário de 2030 seja diferente, evitando que o “penta” conquistado em 2002 permaneça apenas como uma saudade distante.
Claudival Clemente*
* JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP) e em Administração de Empresas pela UNIFIO.















