5 mitos sobre a terapia hormonal da menopausa que ainda assustam muitas mulheres

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Câncer, ganho de peso e trombose estão entre os principais medos. Mas a realidade sobre a terapia hormonal é mais complexa — e depende da mulher, do tratamento e do momento em que ele é iniciado.

A terapia hormonal da menopausa ainda é cercada por dúvidas e receios. Muitas mulheres deixam de considerar o tratamento por medo de câncer, ganho de peso ou trombose, enquanto outras acreditam que só existe indicação quando os fogachos aparecem.

A verdade é que a decisão sobre terapia hormonal precisa ser individualizada. Confira cinco mitos frequentes.

  1. “Terapia hormonal causa câncer”

MITO.

A relação entre terapia hormonal e câncer não pode ser resumida a “hormônio causa câncer”.

Os riscos dependem de fatores como idade, histórico pessoal e familiar, tipo de hormônio, dose, via de administração, duração do tratamento e presença ou não do útero.

A avaliação prévia é fundamental para identificar mulheres que não devem utilizar determinados esquemas hormonais. Em mulheres adequadamente selecionadas, a terapia pode apresentar uma relação favorável entre benefícios e riscos.

Por isso, o medo do câncer, e mesmo que tenha algum caso de câncer na família, não deveria fazer com que uma mulher descarte automaticamente a possibilidade de tratamento sem antes conversar com seu médico.

  1. “TRH engorda”

MITO.

A menopausa pode favorecer aumento de gordura corporal, especialmente na região abdominal, além de alterações na composição corporal.

Isso não significa que a terapia hormonal seja responsável pelo ganho de peso. Pelo contrário, alguns estudos mostram que ela pode ter efeitos favoráveis sobre a distribuição de gordura e o metabolismo em determinadas mulheres.

TRH, entretanto, não é tratamento para emagrecimento. Alimentação adequada, atividade física, sono e acompanhamento metabólico continuam sendo fundamentais.

  1. “TRH aumenta muito o risco de trombose”

MITO — MAS EXISTE UM PONTO IMPORTANTE.

Algumas formas de terapia hormonal podem aumentar o risco de tromboembolismo venoso, especialmente em mulheres que já apresentam fatores de risco.

Por outro lado, a via de administração importa. O estrogênio transdérmico, por exemplo, apresenta um perfil diferente em relação ao risco trombótico quando comparado ao estrogênio oral em determinadas populações.

Por isso, não existe uma resposta única para todas as mulheres. História de trombose, obesidade, tabagismo, idade, histórico familiar e outros fatores precisam ser avaliados antes da prescrição.

O objetivo não é ignorar o risco, mas identificar quem apresenta maior risco e escolher a estratégia mais adequada.

  1. “Os exames são mais importantes do que a avaliação clínica”

MITO.

O diagnóstico de menopausa é clínico.

Exames são importantes, mas não substituem uma boa consulta médica.

Não existe um único exame capaz de determinar sozinho se uma mulher deve ou não fazer TRH.

Idade, tempo desde a menopausa, sintomas, histórico pessoal e familiar, pressão arterial, fatores cardiovasculares, risco de trombose, saúde óssea e ginecológica são informações fundamentais.

Exames como mamografia e, quando indicada, ultrassonografia transvaginal fazem parte do cuidado da mulher, mas devem ser interpretados dentro do contexto clínico.

Em situações específicas, avaliações cardiovasculares adicionais, como a VOP (velocidade de onda de pulso), podem fornecer informações sobre a rigidez arterial.

A clínica direciona a investigação; os exames complementam a avaliação.

  1. “Só precisa de TRH quem tem fogachos”

MITO.

Os fogachos são uma das indicações mais conhecidas e a terapia hormonal é muito eficaz para tratá-los. Mas eles estão longe de ser o único motivo para discutir TRH.

A terapia pode beneficiar mulheres com outros sintomas da menopausa e contribuir para a preservação da saúde óssea, muscular e geniturinária, além de apresentar possíveis efeitos favoráveis metabólicos e vasculares quando iniciada no momento adequado.

Além disso, algumas mulheres apresentam poucos sintomas, mas podem ter outras questões de saúde que precisam ser discutidas durante a transição menopausal.

Isso não significa que toda mulher sem sintomas deva obrigatoriamente utilizar hormônios. Significa que a ausência de fogachos não deve, por si só, encerrar a conversa sobre terapia hormonal.

Informação é melhor do que medo

A terapia hormonal não é indicada para todas as mulheres, mas também não deve ser descartada por medo ou por informações simplificadas.

Quando existe indicação, ausência de contraindicações e acompanhamento médico adequado, a TRH pode ser uma opção segura e trazer benefícios importantes para muitas mulheres.

O mais importante é entender que não existe uma “TRH padrão”. O tratamento deve ser individualizado de acordo com a idade, o tempo desde a menopausa, os sintomas, os fatores de risco e os objetivos de cada mulher.

Conhecer os riscos é importante. Conhecer os benefícios também. E a decisão deve ser construída junto com o médico. 

– Dr. Caio Bitencourt Cordeiro – Médico.