Menopausa: terapia hormonal pode ir muito além do alívio dos sintomas

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Tratamento pode melhorar sintomas, proteger os ossos, a massa muscular e contribuir para a saúde vascular; quando bem indicado e acompanhado, pode ser uma opção segura para muitas mulheres

Ondas de calor, suor noturno, insônia, secura vaginal, queda da libido, alterações de humor e cansaço. Para muitas mulheres, a chegada da menopausa traz mudanças que interferem diretamente na qualidade de vida. Mas a terapia hormonal da menopausa (TRH) pode fazer muito mais do que aliviar esses sintomas.

A queda do estrogênio provoca mudanças em diferentes sistemas do organismo. Por isso, a avaliação da mulher na menopausa deve considerar não apenas como ela está se sentindo hoje, mas também sua saúde óssea, metabólica, cardiovascular e geniturinária.

Benefícios que vão além dos sintomas:

A TRH é o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores, como ondas de calor e sudorese noturna. Também pode melhorar o sono e a qualidade de vida quando esses problemas estão relacionados à menopausa.

Outro benefício importante é a saúde óssea. A redução do estrogênio acelera a perda de massa óssea, e a terapia hormonal pode preservar a densidade mineral óssea e reduzir o risco de fraturas em mulheres selecionadas.

A saúde muscular também é muito impactada. Essa mudança do perfil hormonal tende a acelerar a perda de massa muscular nas mulheres.

Na saúde íntima, a terapia pode melhorar secura vaginal, dor nas relações, lubrificação e sintomas urinários, contribuindo inclusive para a vida sexual e o bem-estar da mulher.

Saúde cardiovascular:

A menopausa também está associada a mudanças metabólicas e vasculares, incluindo aumento da gordura visceral, alterações lipídicas e maior rigidez arterial.

Quando iniciada no momento adequado, a TRH pode apresentar efeitos favoráveis sobre alguns parâmetros metabólicos e vasculares. Por isso, a saúde cardiovascular deve fazer parte da conversa sobre menopausa.

Isso não significa que a TRH deva ser prescrita exclusivamente para prevenir infarto ou AVC, mas significa que seus potenciais efeitos cardiovasculares também devem ser considerados na avaliação individual da mulher, e pode contribuir para uma possível redução de risco.

A importância da “janela de oportunidade”:

Em geral, mulheres com menos de 60 anos ou dentro de aproximadamente 10 anos do início da menopausa apresentam uma relação benefício-risco mais favorável, quando não existem contraindicações.

Quanto maior o tempo desde a menopausa, mais cuidadosa deve ser a avaliação antes de iniciar o tratamento.

Em situações selecionadas, exames complementares podem ajudar nessa análise.

A avaliação também deve considerar exames e cuidados habituais, como mamografia, avaliação ginecológica e, quando indicada, ultrassonografia transvaginal, além da análise dos fatores de risco cardiovasculares e metabólicos.

Medo não deve impedir a informação:

O receio em relação aos hormônios ainda faz muitas mulheres descartarem a TRH antes mesmo de conhecer seus benefícios e riscos.

A realidade é que não existe uma terapia hormonal igual para todas. Tipo de hormônio, dose, via de administração, idade, tempo desde a menopausa e características individuais modificam a relação entre benefícios e riscos.

Quando corretamente indicada, individualizada e acompanhada, a TRH pode ser uma opção segura para muitas mulheres.

A decisão final é da paciente. Mas, para que seja realmente uma decisão consciente, ela precisa conhecer todas as possibilidades.

Menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento ou conformismo.

O papel do médico é justamente garantir que essa decisão seja tomada com informação adequada e avaliação individualizada: “Não podemos avaliar a TRH apenas pela presença de fogachos. Precisamos olhar para a mulher como um todo, considerando o momento da menopausa, sua saúde vascular, e os outros benefícios que esta mulher terá ao longo da vida fazendo uma boa reposição hormonal”.

– Dr. Caio Bitencourt Cordeiro – Médico.