A INFLUÊNCIA DA I.A. E A CRISE NO STF (XI)
Marcadores como mobilizadores de pautas de costumes, liberdade e valores tradicionais funcionam como senhas de reconhecimento coletivo.
Os algoritmos das redes sociais usam essas hashtags para entregar o conteúdo para as pessoas certas, criando bolhas de público muito fiéis.
Sob a ótica da sociologia política, esse fenômeno demonstra o predomínio do chamado “voto de identidade” — ou seja, o eleitor não vota baseado apenas na proposta formal apresentada pelo candidato, mas nos temas que o candidato compartilha nas redes sociais, tais como o combate à corrupção, pautas conservadoras e críticas a decisões de tribunais superiores.
Enquanto determinados setores políticos mantiveram o foco na exposição de indicadores econômicos e propostas institucionais complexas, o campo conservador priorizou a guerra cultural e o discurso simplificado de valores, obtendo forte apelo junto a uma parcela expressiva do eleitorado.
O papel da imprensa pedagógica não é julgar a opção das urnas, mas traduzir as ferramentas que moldam a opinião pública.
Compreender a força dos algoritmos, o poder das narrativas simplificadas e a linguagem das redes é indispensável para entender como a sociedade se organiza, vota e decide os rumos da nação neste segundo turno decisivo.
Claudival Clemente*
*JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP).















