Vivemos em uma sociedade movida pela recompensa imediata. O doce que conforta, a notificação que chega no celular e o vídeo curto que prende a atenção por horas. Embora pareçam experiências completamente diferentes, o açúcar, as telas e as substâncias ativam áreas semelhantes do cérebro ligadas ao prazer, à motivação e ao comportamento compulsivo.
O cérebro possui um mecanismo chamado sistema de recompensa, responsável por gerar sensações de prazer e motivação. Esse sistema envolve neurotransmissores, especialmente a dopamina, substância relacionada à sensação de satisfação e à expectativa de ganho imediato. Quando fazemos algo prazeroso, como comer, receber carinho, alcançar objetivos ou ouvir elogios, a dopamina é liberada. Isso é natural e necessário para a sobrevivência humana.
O problema surge com os excessos. Ao consumir doces e alimentos ultraprocessados ricos em açúcares o sistema de recompensa é sobrecarregado. Por alguns momentos a pessoa sente prazer, conforto e alívio. Isso acontece graças à liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar momentâneo. O cérebro registra essa experiência como extremamente prazerosa e passa a desejar sua repetição, criando um ciclo de dependência para regular emoções, aliviar a ansiedade ou preencher vazios emocionais.
Embora pouca gente associe o açúcar à saúde mental, o seu consumo em excesso traz reflexos negativos diretos no nosso equilíbrio emocional e físico. Entre os efeitos mais comuns, podemos destacar:
- Ansiedade aumentada;
- Irritabilidade;
- Dificuldade de concentração;
- Sensação de fadiga mental;
- Alterações no sono;
- Piora da disposição emocional.
A neurociência e a psicologia vêm mostrando que o organismo responde intensamente a esses estímulos rápidos, que influenciam diretamente nosso comportamento. O açúcar e as tecnologias têm um efeito poderoso: a comida pode virar conforto, o celular pode virar fuga, o doce pode funcionar como anestesia emocional e as redes sociais como distração da solidão. Quando o hábito vira válvula de escape para a dor interna, o cuidado psicológico se torna fundamental.
Cidinha Pascoaloto-Psicóloga, CRP 06/158174. Presencial e online, contato: (18) 99725-6418















