{"id":30060,"date":"2020-07-05T14:33:34","date_gmt":"2020-07-05T14:33:34","guid":{"rendered":"https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/?p=30060"},"modified":"2020-07-05T14:33:34","modified_gmt":"2020-07-05T14:33:34","slug":"pesquisadores-da-unifesp-apresentam-tratamento-que-pode-ser-a-cura-do-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/pesquisadores-da-unifesp-apresentam-tratamento-que-pode-ser-a-cura-do-hiv\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Unifesp apresentam tratamento que pode ser a cura do HIV"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"txt-gray mb-0 h4\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) realizou o primeiro estudo, em escala global, para testar um supertratamento em indiv\u00edduos cronicamente infectados pelo v\u00edrus.<\/strong><\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-30061\" src=\"https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dracena-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dracena-1.jpg 1024w, https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dracena-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dracena-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dracena-1-696x464.jpg 696w, https:\/\/jorgezanoni.com.br\/2019\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/dracena-1-630x420.jpg 630w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<div class=\"img-mobile-full mb-20\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure style=\"text-align: justify;\"><picture class=\"img-wrapper-img-responsive img-wrapper-center-block\"><\/picture><figcaption class=\"mt-25 pl-40 lenged-with-icon photo\"><span class=\"h6 mt-0 d-block txt-no-serif txt-gray-base\">Diaz, em seu laborat\u00f3rio; ele e sua equipe dever\u00e3o aguardar o resultado das bi\u00f3psias dos pacientes vacinados para iniciar a segunda etapa da pesquisa, que consistir\u00e1 em suspender os medicamentos e observar como reage o organismo daqueles volunt\u00e1rios<\/span><small class=\"d-block txt-no-serif txt-gray-base\">(foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Unifesp)<\/small><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cura da s\u00edndrome da imunodefici\u00eancia adquirida (Aids) pode estar mais perto do que imaginamos! A Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unufesp) realizou o primeiro estudo, em escala global, para testar um supertratamento em indiv\u00edduos cronicamente infectados pelo v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV). A pesquisa est\u00e1 sendo coordenada pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, que \u00e9 uma das refer\u00eancias mundiais no assunto.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">De acordo com nota publicada pela Unifesp, Diaz \u00e9 diretor do Laborat\u00f3rio de Retrovirologia do Departamento de Medicina da Escola Paulista de Medicina (EPM\/ Unifesp) &#8211; Campus S\u00e3o Paulo.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A pesquisa contou com a participa\u00e7\u00e3o de 30 volunt\u00e1rios que possuem carga viral indetect\u00e1vel, sob tratamento padr\u00e3o, conforme o que \u00e9 atualmente preconizado: a combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas tipos de antirretrovirais, mais conhecida como \u201ccoquetel\u201d. Os volunt\u00e1rios foram divididos em seis subgrupos, recebendo, cada um deles, diferentes combina\u00e7\u00f5es de rem\u00e9dios, al\u00e9m do pr\u00f3prio \u201ccoquetel\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Tratamento<\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Diaz, e sua equipe, vem trabalhando em duas frentes para a cura da doen\u00e7a: uma utilizando medicamentos e subst\u00e2ncias que matam o v\u00edrus no momento da replica\u00e7\u00e3o e eliminam as c\u00e9lulas em que o HIV fica adormecido (lat\u00eancia); e a outra desenvolve uma vacina que leva o sistema imunol\u00f3gico a reagir e eliminar as c\u00e9lulas infectadas nas quais o f\u00e1rmaco n\u00e3o \u00e9 capaz de chegar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os integrantes do subgrupo que apresentaram melhores resultados receberam mais dois antirretrovirais: o dolutegravir, a droga mais forte atualmente dispon\u00edvel no mercado; e o maraviroc, subst\u00e2ncia que for\u00e7a o v\u00edrus, antes escondido, a aparecer.<\/p>\n<p>Outras duas subst\u00e2ncias tamb\u00e9m foram inclu\u00eddas, que potencializam o efeito dos medicamentos: a nicotinamida \u2013 uma das duas formas da vitamina B3, que mostrou ser capaz de impedir que o HIV se escondesse nas c\u00e9lulas; e a auranofina \u2013 um antirreum\u00e1tico, tamb\u00e9m conhecido como sal de ouro, que deixou de ser utilizado h\u00e1 muitos anos para tratar a artrite e outras doen\u00e7as reumatol\u00f3gicas. A auranofina revelou potencial para encontrar a c\u00e9lula infectada e lev\u00e1-la ao suic\u00eddio.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O infectologista explicou que os testes\u00a0<em>in vitro<\/em>,\u00a0<em>in vivo<\/em>\u00a0(em animais) e, agora, em humanos confirmam que a nicotinamida \u00e9 mais eficiente contra a lat\u00eancia quando comparada ao potencial de dois medicamentos administrados para esse fim e testados conjuntamente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas apesar da descoberta dessas subst\u00e2ncias (a nicotinamida e a auranofina) para a redu\u00e7\u00e3o expressiva da carga viral, ainda seria necess\u00e1rio algo que ajudasse a imunidade dos pacientes contra o v\u00edrus. Dessa maneira, os pesquisadores desenvolveram uma vacina de c\u00e9lulas dendr\u00edticas, que conseguiu ensinar o organismo do paciente a encontrar as c\u00e9lulas infectadas e destruir uma a uma, eliminando completamente o v\u00edrus HIV.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A vacina de c\u00e9lulas dendr\u00edticas \u00e9 extremamente personalizada j\u00e1 que \u00e9 fabricada a partir de mon\u00f3citos (c\u00e9lulas de defesa) e pept\u00eddeos (biomol\u00e9culas formadas pela liga\u00e7\u00e3o de dois ou mais amino\u00e1cidos) do v\u00edrus do pr\u00f3prio paciente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Est\u00edmulo<\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Segundo Diaz, as c\u00e9lulas dendr\u00edticas s\u00e3o importantes unidades funcionais no sistema imunol\u00f3gico pois tem fun\u00e7\u00e3o \u00e9 capturar microrganismos prejudiciais ao organismo para, em seguida, apresent\u00e1-los aos linf\u00f3citos T CD8. Quando apresentados, os linf\u00f3citos participam do controle de infec\u00e7\u00f5es, aprendem a encontrar e matar o HIV presente em regi\u00f5es do corpo \u2013 chamadas pelos especialistas de \u201csantu\u00e1rios\u201d \u2013 aonde os antirretrovirais n\u00e3o chegam ou, quando chegam, atuam de forma muito modesta, como c\u00e9rebro, intestinos, ov\u00e1rios e test\u00edculos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Seis dos pacientes participantes receberam o supertratamento, mas ainda aguardam os resultados finais da terceira dose da vacina. \u201cSomente ap\u00f3s as an\u00e1lises de sangue e das bi\u00f3psias do intestino reto desses pacientes vacinados \u00e9 que partiremos para o desafio final: suspender todos os medicamentos de um deles e acompanhar como seu organismo ir\u00e1 reagir ao longo dos meses ou, at\u00e9 mesmo, dos anos\u201d, conclui. \u201cCaso o tempo nos mostre que o v\u00edrus n\u00e3o voltou, a\u00ed sim, poderemos falar em cura.\u201d<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: justify;\">No per\u00edodo sem conclus\u00e3o dos resultados, o infectologista alerta: \u201capesar do avan\u00e7o no tratamento e controle do HIV, a infec\u00e7\u00e3o por esse v\u00edrus ainda \u00e9 a pior not\u00edcia que podemos dar ao paciente em termos de doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis\u201d, declara. \u201cA pessoa com HIV, mesmo com carga viral indetect\u00e1vel, passa por in\u00fameros processos inflamat\u00f3rios devido aos efeitos colaterais dos medicamentos.&#8221;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Segundo o coordenador, o uso de preservativos durante as rela\u00e7\u00f5es sexuais garante a prote\u00e7\u00e3o contra o HIV, al\u00e9m de outras doen\u00e7as para quem n\u00e3o tem o v\u00edrus, mas principalmente para quem j\u00e1 o tem. \u201cAtualmente, o Centro de Controle de Doen\u00e7as (CDC) dos Estados Unidos afirma que pessoas com carga viral indetect\u00e1vel n\u00e3o transmitem HIV. A falta de prote\u00e7\u00e3o pode, por\u00e9m, acarretar ao indiv\u00edduo com o v\u00edrus controlado a reinfec\u00e7\u00e3o por um tipo diferente de v\u00edrus HIV ou por outro mais resistente.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Aids no mundo<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A doen\u00e7a do sistema imunol\u00f3gico, causada pelo v\u00edrus da imunodefici\u00eancia humana (HIV), torna uma pessoa mais propensa \u00e0s doen\u00e7as oportunistas e, at\u00e9 mesmo, ao c\u00e2ncer do que outra, cujo sistema imunol\u00f3gico esteja saud\u00e1vel. As principais maneiras de transmiss\u00e3o s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es sexuais desprotegidas, as transfus\u00f5es com sangue contaminado, o compartilhamento de seringas entre usu\u00e1rios de drogas injet\u00e1veis e a dissemina\u00e7\u00e3o de m\u00e3e para filho, durante a gravidez, parto ou amamenta\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mesmo com a evolu\u00e7\u00e3o no tratamento e das campanhas preventivas, os n\u00fameros sobre a doen\u00e7a mostram que a aids ainda \u00e9 um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica global. Dados apresentados pelo Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/Aids (Unaids) mostram que 36,7 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo viviam com HIV em 2016 e quase dois milh\u00f5es seriam infectados no mesmo ano.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">O \u00ednicio da epidemia ocorreu na d\u00e9cada de 1980, onde cerca de 35 milh\u00f5es de indiv\u00edduos perderam a vida por causas relacionadas \u00e0 aids. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS) contabilizou, at\u00e9 junho de 2016, quase 843 mil casos da doen\u00e7a, cuja maioria era constitu\u00edda por homens (65,1%); o pa\u00eds \u00e9 o que mais concentra novos casos de infec\u00e7\u00f5es (49%) na Am\u00e9rica Latina, segundo a Unaids. Um ter\u00e7o das novas infec\u00e7\u00f5es ocorre em jovens de 15 a 24 anos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em>* Com informa\u00e7\u00f5es da Unifesp<\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) realizou o primeiro estudo, em escala global, para testar um supertratamento em indiv\u00edduos cronicamente infectados pelo v\u00edrus. 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