Quem não constrói, destrói

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QUEM NÃO CONSTROI, DESTROI

Temos vários tipos de administradores que, dependendo de como administram fazem a cidade progredir ou regredir. Em Dracena não está difícil catalogar o nosso alcaide. Primeiro, deixa a cidade suja, com bueiros entupidos talvez até para facilitar o serviço do aedes aegypti que ,satisfeito, já fez o serviço de espalhar a dengue desde os primeiros dias do ano. Depois, abandona as praças públicas dando-lhe a aparência de casa abandonada. Talvez faça alguma arrumaçãozinha uns meses antes das eleições achando que o eleitor é desprovido de bom senso e memória. Mas ainda prima por um outro item: parece que não gosta que arrumem o que ele abandona.
Outro dia, um bairro inteiro e muitas pessoas do centro da cidade ficaram felizes por ter surgido em Dracena um rapaz, estudante de arquitetura e urbanismo que, por conta própria, tomou a iniciativa de acudir os moradores do bairro onde está a igreja do Perpétuo Socorro trabalhando na praça local. Estava tudo abandonado, imundo, sem o mínimo cuidado. O mato alto não permitia que ali se identificasse um jardim.
Pondo em prática as lições que aprendera em seu curso ele, sozinho, cortou o matagal, redesenhou canteiros,  encheu-os de terra fértil, plantou mudas de plantas que, quando crescessem dariam seu toque colorido para alegrar os frequentadores da praça, da igreja e dos passantes.
Fez uma beiral nos canteiros e pintou-os de branco e, os espaços entre os canteiros que vem a ser as “avenidas” do jardim, ele pintou com tinta piso cinza. Ficou lindo! completamente diferente daquele matagal desordenado que ali havia. Uma ou outra pessoa colaborou com algum exíguo material. Ele, praticamente fez tudo às suas expensas. Não foi cobrar da prefeitura, nem da igreja, nem de moradores. Usou os conhecimentos adquiridos no curso e o material adquirido por ele e por um ou outro amigo. Mas o esforço, o trabalho pesado de arranjar terra, transportá-la, acertar tudo em cada lugar previamente planejado, fazer a limpeza da parte cimentada, pintar, deixando tudo tão lindo como nunca tinha sido foi tarefa sua.
Quem passava por lá ficava maravilhado e registrava tudo nos celulares e enviava a todos os seus contatos. Creio que a maior parte da população de cidade, senão toda ela, ficou sabendo dos esforços desse rapaz em sua voluntária tarefa para deixar essa parte da cidade mais agradável e aconchegante.
Muitas pessoas já planejavam pedir sua ajuda para recuperar outras praças que carecem de cuidados, pois se encontram abandonadas ou com poucos cuidados. Já havia até a ideia de se formar grupos para auxiliá-lo nos serviços e também na colaboração com materiais. Esse rapaz, conseguiu fazer renascer o desejo de se ver a cidade limpa, organizada e bonita como deveria ser e como a população gosta.
Quando todos os envolvidos ainda comemoravam o feito, eis que um grupo, provavelmente da prefeitura, armado com roçadeiras entra nessa praça tão embelezada e vai quebrando as guias, cortando ou esmagando as mudas recém plantadas, enfim, destruindo o que tinha sido feito com tanto carinho e sacrifício. As pessoas ficaram revoltadas, afinal se a Prefeitura queria ajudar em alguma coisa, deveria falar com o rapaz e se por à disposição, mas jamais ir invadindo o jardim e destruindo o que estava feito, e bem feito.
Em nome das pessoas que querem ver a cidade bonita e bem cuidada, peço desculpas ao André  Cardoso, nosso querido jardineiro.
Thereza Pitta
e-mail: therezapitta@uol.com.br