Falar mal dos outros: o comentarista da vida alheia

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“A fofoca é a muleta dos invejosos”.

É através dela que as pessoas pequenas, rasteiras e fracas arrumam forças
para tentar derrubar ou destruir aqueles cujo nível jamais alcançarão.
O lema dos fofoqueiros é “se não consigo chegar ao topo, vou fazer de tudo
para puxar para baixo”.
Mário Franco
André Luís Luengo1

Há pessoas que têm a necessidade de falar mal dos outros.
O motivo é que isso faz com que elas se sintam melhores ante as suas
próprias inseguranças.
É isso.
Comentar os defeitos e as falhas dos outros (pois todos as temos) é uma
tentativa de disfarçar as do comentarista. É uma forma de tirar o foco, uma
maneira de fuga ou pior que tudo isso, uma maldade. É uma dissimulação para
parar de pensar nos seus próprios defeitos e falhas.
Esse especialista no elixir panacéico da felicidade, da correção, quando
precisa fazer na sua própria história a receita para dar certo, não consegue,
falha.
Que coisa não!
Apresenta a resolução para todos os problemas do mundo, mas sequer
consegue resolver os seus.
Cuidado com a pessoa que gosta de fazer da vida alheia a sua pauta
principal dos assuntos. É importante sabermos que se ele fala mal dos outros
para nós, certamente fala mal de nós para os outros.
A melhor saída é afastar-se dessa pessoa repleta de energias negativas.
Na verdade, o ideal seria tentar fazê-lo enxergar o prejuízo e malefícios
que isso lhe causa. Mas…. com certeza ele deve se queixar de todos os
acontecimentos, até dos que talvez lhe tenham sido proveitosos na sua vida.

1 O autor é Delegado de Polícia do Estado de São Paulo. Professor da Academia de Polícia Civil e

Professor Universitário. Contato: luengo.garra@hotmail.com
Enfim, o que ele diz sobre nós é simplesmente a realidade dele, não a
nossa. A régua dele não serve para nos medir, as vezes é muito sinuosa ou
porque não dizer totalmente torta.
É difícil, mas saibamos conviver com essas pessoas.
Na vida colhemos o que plantamos e pessoas assim vivem no sofrimento
e quase sempre sozinhas, pois esses comentários cansam.
Por isso que as vezes um, dois ou até três os mais casamentos
(relacionamentos) não perduram, como também as amizades terminam
rapidamente.
O que sobra? A solidão, o desprezo e as vezes nem isso.
Façamos uma reflexão: quais são as nossas amizades (constante) que
perduram? Os nossos ex (companheiros, colegas de profissão, vizinhos etc)
continuam nos considerando? O nosso círculo de amigos se resume ao nosso
trabalho e provável ascendência sobre eles?
É meu amigo, talvez lendo este texto você tenha enxergado nas
entrelinhas a pessoa que se enquadra no conceito do comentarista da vida
alheia. Ainda que com o passar do tempo a gente se aperceba que as opiniões
dos outros são simplesmente dos outros e só.
Por isso devemos pensar além do poder das palavras, refletindo de
quem elas partem e se elas bendizem ou maldizem.
As que maldizem devem ser esquecidas, para nada servem, não nos
edificam.
Mas é bom fazermos a nossa reflexão. Saber no que erramos, pois não
tendo compromisso com o erro sempre poderemos buscar o acerto, inclusive
retificando os nossos comportamentos. Isso colabora com o nosso crescimento,
ainda mais quando esse julgamento vem de pessoa que temos consideração e
respeito. Ela nos conhece e quer o nosso bem.
Até porque têm pessoas que somente sabem elogiar e concordar com
tudo e todos. Estas também não têm como contribuir para a nossa evolução.
Então é bom sabermos que nem sempre as pessoas retribuem do
mesmo modo como agimos. Mas o que nos prejudicam as críticas destrutivas
quando a nossa consciência nos tranquiliza e nos alavanca sempre à frente, às
conquistas, ao sucesso. Amém.
Boa semana a todos, com muita saúde e paz