Quando a maternidade também é motivo de arrependimento (por Cidinha Pascoaloto)

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Existe um sentimento sobre o qual poucas mulheres conseguem falar sem medo de serem julgadas: o arrependimento de ter se tornado mãe.

A sociedade costuma apresentar a maternidade como a realização máxima de uma mulher. Mas, por trás das fotografias felizes e das declarações de amor, existem histórias de mulheres que amam seus filhos e, ainda assim gostariam ter escolhido outro caminho.

O conflito aparece quando ela percebe que a maternidade não correspondeu às suas expectativas ou quando a responsabilidade de criar um filho se tornou muito maior do que sua capacidade emocional, financeira e prática de lidar com ela.

Algumas engravidaram sem desejar verdadeiramente a maternidade. Outras cederam à pressão familiar, ao companheiro ou à ideia de que ter filhos era uma etapa obrigatória da vida. Há também aquelas que desejaram ser mães, mas descobriram, na experiência cotidiana, uma realidade muito diferente daquela que haviam imaginado.

A sobrecarga, a falta de apoio, as dificuldades financeiras, os relacionamentos desgastados e a renúncia constante às próprias necessidades podem aprofundar esse sofrimento.

Do ponto de vista psicológico, precisamos compreender que a maternidade é uma experiência humana, não uma garantia de realização pessoal. Os sentimentos maternos são complexos e podem envolver amor, cansaço, frustração, incerteza e até arrependimento.

Reconhecer esses sentimentos não significa incentivar o abandono dos filhos nem desconsiderar suas necessidades. Significa admitir que o sofrimento materno existe e que silenciá-lo não o faz desaparecer. Pelo contrário, pode aumentar o isolamento e dificultar a busca por ajuda.

Talvez uma das maiores dificuldades esteja em aceitar que algumas escolhas não podem ser desfeitas, mas podem ser compreendidas e cuidadas, porque uma mulher não deixa de ser humana quando se torna mãe. É possível amar um filho e, ainda assim, arrepender-se de ter escolhido a maternidade.

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Cidinha Pascoaloto (@cidinhapsicologa)