A INFLUÊNCIA DA I.A. NAS ELEIÇÕES (VI)
A regulação da tecnologia nas eleições de 2026 ultrapassou as fronteiras nacionais e provocou uma forte reação diplomática, a partir da interferência americana no pleito brasileiro.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reuniu cerca de cem embaixadores estrangeiros em Brasília para defender a soberania do nosso modelo, após acusações de “censura” vindas do governo dos Estados Unidos.
O início desta polêmica envolveu a rede social X (antigo Twitter). Para cumprir as normas do TSE, a plataforma alterou seu algoritmo de recomendação no Brasil.
Na prática, a rede desativou a entrega automática de publicações de candidatos na aba “Para Você”. O conteúdo continua visível para quem já segue o candidato, mas deixou de ser impulsionado pelo robô para quem não o segue.
A mudança gerou forte queixa da diplomacia americana. A subsecretária de Estado dos EUA, Sarah B. Rogers, criticou a exigência, alegando que barrar a recomendação algorítmica limita o alcance do discurso e configura controle indevido sobre as ideias.
O episódio suscita uma indagação inevitável: qual o real interesse diplomático em interferir nas eleições de um país livre, soberano e com plena capacidade de gerir o próprio processo eleitoral?
Em resposta, Nunes Marques enfatizou que as medidas foram adotadas de forma voluntária pelas big techs (grandes empresas de tecnologia) por meio de planos de conformidade — regras específicas que demonstram como cumprirão as leis no combate à desinformação.
O objetivo da Justiça Eleitoral não é calar candidatos, mas evitar que algoritmos (instruções lógicas que orientam os computadores) manipulem a opinião do eleitor.
A disputa evidencia o delicado equilíbrio entre a liberdade na internet e a proteção da igualdade no pleito.
Claudival Clemente*
*JORNALISTA. Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Norte Pioneiro (UENP) e em Administração de Empresas pela UNIFIO.















